
Vejo-me triste, abandonada e só
Bem como um cão sem dono que o procura,
mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na vida de amargura!
Judeu Errante que a ninguém faz dó!
Minh´alma triste, dolorida e escura,
Minh´alma sem amor é cinza e pó
Vaga roubada ao mar da Desventura!
Que tragédia tão funda no meu peito!...
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!
Deus! Como é triste a hora quando morre...
O instante que foge, voa,e passa
Fiozinho de água triste... a vida corre...Florbela Espanca ( a minha poetisa das horas apaixonadas e desapaixonadas)