sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Lembranças de um Natal longínquo

Este foi o Natal em que pensei que uma simples canção puderia mudar o Mundo.
Como criança acreditava que os homens quando se juntavam seriam capazes de ultrapassar a fome do Mundo. E que aquelas imagens das crianças de África iriam terminar, só porque se fez uma canção.
Neste momento, com o trabalho que tenho, vejo que estas imagens começam a aproximar-se de mim. Tenho crianças que não jantam porque não têm para comer e vejo banqueiros a ser salvos por um governo inútil, que nos diz em mensagens de Natal: que vão ajudar os portugueses.
Fica a esperança!
não sei em quem?
Se calhar em canções como estas que outrora despertavam em mim o sonho que a fome iria acabar.
Apesar de considerar uma piroseira, mas característica de uma época idealista.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008


A magia das ruas na época de Natal.


Nestes momentos que antecedem o Natal recordo com certa nostalgia as ruas da baixa da minha cidade. O cheiro a castanhas assadas, os efeitos de luzes que o comércio insitia em tornar cada ano mais grandiosos e a esperança que tinha de cada ano fosse melhor. E que seria feliz.
A esperança era algo bonito que eu possuia!!!
Era o que me movia.
Com o envelhecimento e com a passagem do tempo, esqueci-me dessa esperança. E o quanto ela me dava a ilusão de felicidade.
Ontem, pude ver a magia que as luzes da cidade concedem numa criança. E a admiração! Vale a pena mostrar isso (tal como me mostraram).
São momentos de ilusão que vale a pena viver.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Liberdade

A liberdade em demasia por vezes é ingrata.
Para quem viveu uma vida de liberdade, ausência de compromissos com os outros, encontra muitas dificuldades em saber viver com eles.
Toda a vida vivi refugiada à dependência que poderia estabelecer com as pessoas.
Eu não sei viver com as pessoas, nem sei ser feliz.
É a ironia que eu queria estabelecer a este blog.
Não sei ser feliz!

sábado, 20 de dezembro de 2008



A bipolaridade da vida

Tenho momentos depressivos, nostálgicos e por vezes penso que não sairei do fundo do buraco, onde insisto permanecer.
Mas, não há nada melhor do que trabalhar com crianças. A alegria que emanam é contagiante e faz-nos pensar que se vale a pena estar a refugiar em desgraças.
Gosto de estar feliz e sei que só não sou mais, porque não me esforço.

Viva la vida

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Estrelas

Hoje ao sair da minha escola, pude ver uma noite estrelada como não via há muito. Quem vive num lugar com poluição luminosa como eu, fica fascinada com a infinitude de brilhos no céu.
Tinha saudades disto.
Antes, via isto quando ia acampar.
tenho saudades deste contacto com a Natureza.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008


A magia de estar vivo.
Esta é a magia de estar viva. Poder usufruir da imensidão de um luar como este. A redução a que nos vemos arrastados. Somos nada!
E ainda bem que há momentos como estes para podermos convercer da pequenez da nossa vida em comparação à magia desta noite.
E tudo continuará...
Tal como decorre há milhões de anos.
E a nossa passagem é vaga e diminuta.
Mas, é linda uma noite destas!
E Agradece-se a Quem nos proporciona tal oportunidade de a ver.
Obrigada a Quem Sejas

sábado, 6 de dezembro de 2008

A felicidade junto de alguém que merece ser o mais feliz do Mundo.




Nele encontro a paz, a alegria a certeza que para alguém : eu existo e sou importante.
Fizeste-me diferente, filho e por ti eu lutarei todos os dias.
Não há nada melhor do que estar contigo
Preciso de ti
amo-te

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

no hay que llorar

Todo aquel que piense que la vida es desigual,
tiene que saber que no es asi,
que la vida es una hermosura, hay que vivirla.
Todo aquel que piense que esta solo y que esta mal,
tiene que saber que no es asi,
que en la vida no hay nadie solo, siempre hay alguien.

Ay, no ha que llorar, que la vida es un carnaval,
es mas bello vivir cantando.
Oh, oh, oh, Ay, no hay que llorar,
que la vida es un carnaval
y las penas se van cantando.

Todo aquel que piense que la vida siempre es cruel,
tiene que saber que no es asi,
que tan solo hay momentos malos, y todo pasa.
Todo aquel que piense que esto nunca va a cambiar,
tiene que saber que no es asi,
que al mal tiempo buena cara, y todo pasa.

Ay, no ha que llorar, que la vida es un carnaval,
es mas bello vivir cantando.
Oh, oh, oh, Ay, no hay que llorar,
que la vida es un carnaval
y las penas se van cantando.
Para
aquellos que se quejan tanto.
Para aquellos que solo critican.
Para aquellos que usan las armas.
Para aquellos que nos contaminan.
Para aquellos que hacen la guerra.
Para aquellos que viven pecando.
Para aquellos nos maltratan.
Para aquellos que nos contagian.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

José Saramago: a melhor descrição de uma avó. Como o compreendo tão bem!

Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A história da castanha


Há simples histórias que nos trazem ensinamentos grandes. E hoje, ao explorar uma história de Literatura para a Infância, retirei ensinamentos para o momento que atravesso na vida.
A história é de António Torrado e passo a mencionar o essencial ( pelo menos para mim é).



"Era uma vez uma castanha que estava como as outras, pendurada num castanheiro. Chegando o tempo, as castanhas amadurecem e caem por si. Só que esta não caiu. ... A tímida e teimosa castanha desta história a tudo assistia do seu mirante e não gostava.


- A mim não me levam eles- dizia.


Era a única que sobrava no castanheiro. As folhas a fugirem das árvores, sopradas pelo vento, e ela a afincar-se ao ramo, com unhas e dentes... Sozinha, desabrigada, não estava feliz. Nem infeliz. Sentia até uma ponta de orgulho por ter conseguido resistir tanto tempo. Um sabor de vitória que a ouriçou toda. ...


Debruçou-se do ramo mais e mais. A madeira estava a arder estalava, mesmo por baixo da castanha, a última. O fumo entontecia-a. E se fosse ver de perto o que se passava? Foi . Caiu. E a história acaba aqui. Paciência . É o destino das castanhas. "




A história resume perfeitamente o que se passa na minha vida. Julguei ser forte e aguentar-me no castanheiro e lutar pelos meus sonhos, pelos meus objectivos, para ser feliz. Tal como a castanha, fiquei só, desabrigada; mas nos momentos iniciais foi excitante e estimulante. Depois veio a solidão, a mágoa, a sensação de ser igual a tantas outras castanhas, que são desouriçadas e atiradas para o chão.


Cai. Quis ir ver como era e cai. Paciência. É o destino de ser castanha!!




Quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré.

sábado, 8 de novembro de 2008

O tempo não parou


O tempo não parou!!

Perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida ao som desta música.

Durante anos nunca consegui ouvi-la

Hoje só a retomei para dizer o quanto tenho saudades de ti, Bárbara.

Tenho saudades dos teus carinhos, do teu olhar, do teu sorriso.

Sei que nunca serei como tu

Mas, gostava de ter um pouco da força que tu tiveste na tua vida.

Amo-te, avó

e sei que mais ninguém me amou como tu.

I´m still loving you

e já partiste há muitos anos; 25

tu fazes-me falta.

domingo, 6 de julho de 2008

Para o Mathias...


NA IDADE DOS PORQUÊS - ALICE GOMES
Professor diz-me porquê?

Por que voa o papagaio que solto no ar

que vejo voartão alto

no ventoque o meu pensamento

não pode alcançar?
Professor diz-me porquê?

Por que roda o meu pião?

Ele não tem nenhuma roda

E roda gira rodopia

e cai morto no chão...
Tenho nove anos professor

e há tanto mistério à minha roda

que eu queria desvendar!

Por que é que o céu é azul?

Por que é que marulha o mar?Porquê?

Tanto porquê que eu queria saber!

E tu que não me queres responder!
Tu falas falas professor

daquilo que te interessae que a mim não interessa.

Tu obrigas-me a ouvir

quando eu quero falar.

Obrigas-me a dizer

quando eu quero escutar.

Se eu vou a descobrir

Fazes-me decorar.
É a luta professora luta em vez de amor.
Eu sou uma criança.

Tu és mais alto

mais forte mais poderoso.E a minha lança

quebra-se de encontro à tua muralha.
Mas enquanto a tua voz zangada ralha

tu sabes professoreu fecho-me por dentro

faço uma cara resignadae finjo,finjo que não penso em nada.
Mas penso.

Penso em como era engraçada

aquela rãque esta manhã ouvi coaxar.

Que graça que tinha aquela andorinha

que ontem à tarde vi passar!...
E quando tu depois vens definir

o que são conjunçõese preposições...

quando me fazes repetir

que os corações têm duas aurículas e dois ventrículos

e tantastanta mais definições...

o meu coração o meu coração que não sei como é feito

nem quero saber cresce

cresce dentro do peito

a querer saltar cá para fora professora

ver se tu assim compreenderias

e me farias mais belos os dias.
Alice Gomes

sábado, 5 de julho de 2008

A essência da minha vida

A possibilidade de activar a fantasia somada à capacidade de observação e de personificação é indispensável para uma actividade mental.

Acabei de descobrir a essência da minha vida.
Tudo o que foi referido anteriormente é o que me define.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

ficcionalmente apaixonada


Perguntei a um sábio,

a diferença que havia entre amor e amizade,

ele me disse essa verdade...

O Amor é mais sensível,

a Amizade mais segura.

O Amor nos dá asas,a Amizade o chão.

No Amor há mais carinho,na Amizade compreensão.

O Amor é plantado e com carinho cultivado,

a Amizade vem faceira,

e com troca de alegria e tristeza,

torna-se uma grande e querida companheira.

Mas quando o Amor é sincero

ele vem com um grande amigo,

e quando a Amizade é concreta,ela é cheia de amor e carinho.

Quando se tem um amigo ou uma grande paixão,

ambos sentimentos coexistem dentro do seu coração.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

finalmente...o meu blog


Este é o meu espaço.

O meu travesseiro.

As escadas da minha infância, onde me refugiava para fugir ao que não queria.

É o meu pátio das recordações.